Sustentabilidade deixou de ser discurso. Hoje, ela define relevância de mercado.
- Igor Archipovas
- 21 de mai.
- 2 min de leitura

Durante muito tempo, sustentabilidade foi tratada por muitas empresas apenas como ferramenta de comunicação.
Campanhas, discursos institucionais, ações isoladas e narrativas construídas para gerar percepção positiva de marca.
Mas o mercado mudou.
Hoje, consumidores, investidores, órgãos reguladores e o próprio ambiente institucional conseguem identificar com facilidade a diferença entre compromisso real e posicionamentos artificiais.
O tempo do greenwashing ficou para trás.
E talvez o maior erro de muitas organizações tenha sido acreditar que sustentabilidade poderia ser tratada apenas como publicidade.
Não pode.
Sustentabilidade passou a ocupar um espaço estratégico dentro das organizações.
Ela influencia reputação, competitividade, interlocução institucional, relacionamento com governos e permanência no mercado.
Mais do que uma tendência, tornou se uma exigência estrutural.
Ao longo da nossa trajetória na Estratégia S/A, acompanhamos de perto essa transformação em diferentes setores da economia.
E existe um ponto importante que muitas empresas ainda não perceberam:os desafios ligados à sustentabilidade dificilmente serão resolvidos de forma isolada.
No final da década de 1990, participei de um projeto que estava muito à frente do seu tempo.
A iniciativa foi criada para uma indústria de embalagens de vidro do Nordeste e tinha como objetivo estruturar coletores nas principais capitais da região, incentivando a população a destinar corretamente embalagens pós consumo para que retornassem à fábrica e fossem recicladas.
Naquele momento, ainda não existia sequer a discussão estruturada sobre logística reversa como conhecemos hoje.
Mas já existia algo fundamental:consciência sobre responsabilidade compartilhada.
Anos depois, o mercado evoluiu, a legislação avançou e o tema ganhou uma dimensão muito maior com a criação da Política Nacional de Resíduos Sólidos.
E talvez exista uma conexão importante nisso tudo.
As organizações mais preparadas atualmente para lidar com as exigências ambientais normalmente são aquelas que compreenderam cedo que sustentabilidade não nasce apenas da obrigação legal.
Ela nasce da cultura.
Nos últimos anos, tornou se cada vez mais evidente a atuação de Ministérios Públicos, órgãos ambientais e entidades reguladoras na cobrança sobre o cumprimento das responsabilidades previstas na PNRS.
E esse movimento tende a se intensificar.
Mas existe um aspecto estratégico pouco discutido:a sustentabilidade precisa deixar de ser tratada apenas como responsabilidade individual das empresas e passar a ser construída como compromisso coletivo das cadeias produtivas.
É justamente neste ponto que as entidades setoriais ganham relevância.
Associações, institutos e organizações representativas possuem a capacidade de unir mercados, estruturar interlocução, alinhar posicionamentos e construir projetos capazes de fortalecer setores inteiros diante das exigências ambientais e regulatórias.
Talvez o futuro da sustentabilidade esteja menos relacionado a ações isoladas e muito mais conectado à capacidade dos setores de construírem inteligência coletiva.
Porque sustentabilidade não é apenas uma pauta ambiental.
Ela já se tornou uma pauta de permanência, reputação e competitividade.
E os mercados que compreenderem isso mais cedo terão maior capacidade de adaptação, relevância e continuidade nos próximos anos.



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